Mais uma viagem, carregada de tranquilidade e desatinos...de curiosidades e contrasensos...enfim...entre o êxtase da tranquilidade e a demência do veraneante atabalhoado, eis que avisto algo...hhummm....que, digamos, despertou a minha curiosidade e que já vinha da noite anterior...
Uma das entradas para a praia, bem em frente do parco escadario de acesso, bem como junto ao muro, local onde se situava, com a fúria de um vulcão, alimentado pelo vento, soltando fumo, cinza e um odor a sardinha, o grande fogareiro carregado de carvão preto, deparo-me com uma visão, inicialmente angústiante...a praia estava suja, imunda, o cheiro dos restos entranhado numa areia por si já mais preta que outra coisa. Fiquei preplexo, incrédulo, não compreendendo a razão de ser de tamanho pandemónio.
Continuei a minha viagem, com a mente ainda na imagem daquela entrada da praia e na festança aí realizada na noite anterior...perguntava-me o porquê quando, de repente, uma veraneante muda a sua direcção, mais uma vez, para a tal faixa com o desenho de um estranho aparelho de duas rodas movido a pedais...recção imediata: "aí vem mais um"...mas...não é que a mulher olha para trás e...de repente, sem que nada o fizesse prever...para dar passagem ao estranho veículo, com um sorriso no rosto como que a a disfrutar e partilhar o nascer daquele novo dia.
Foi nesse momento que percebi que poderia, alegadamente, estar errado quanto às elações da viagem anterior. Como que um raio fulminante vindo sabe-se lá de onde, a explicação para o pandemónio resultante da noite anterior naquela passagem, agora carregada de veraneantes, de repente se mostrou tão clara como as águas do atlántico numa costa fustigada pelas nortadas.
Pois é, sEr porTuguês é mesmo partilhar, não passar despercebido, a preocupação com o próximo. Senão vejamos: porque fazer uma sardinhada na praia, mesmo na zona de passagem, em pleno Agosto, abrigados por guarda-sóis e tapa-ventos (o vento fazia-se sentir vindo, para variar, de norte)?...é claro que isto é "partilhar"...é dizer a todos "estamos aqui"...é uma clara manifestação de agradar e servir o próximo...esfomeado e já fustigado pelo vento que passe de repente tem um cantinho abrigado para matar a fome e conviver, partilhar. É fazer sentir os 'próximos' veraneantes (da manhã seguinte) as coisas boas da vida...e não as dietas que a malta insiste em fazer para o verão...só faz mal claro.
Agora percebo porque invadem a dita faixa de rodagem para os estranhos aparelhos movidos a 'pedais'...claro, mas era tão obvio...é para sentirmos que partilhamos algo...sentirmos que, mesmo aqueles incómodos e ilustres desconhecidos, estão ali para o que der e vier...uma inequivoca demonstração de preocupação (forçando a abrandar para evitar um acidente maior).
Tão enganado que eu estava...afinal aquela simpática senhora que parou...e não partilhou nem demonstrou preocupação...não era a regra, mas sim a excepção.
Minha senhora...então as boas maneiras?...ai ai
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